Até breve
Um velho amigo veio me dar a notícia que vai realizar seus voos em terras distantes.
Muito cautelosamente o Albatroz com suas asas enormes se aproximou e pousou majestosamente em um penhasco bem acima de onde eu me encontrava.
Eu pude ver em seu olhar um misto de ansiedade e tristeza, a ansiedade pelos novos desafios, pela possibilidade de ver novas paisagens e fazer novos amigos.
A tristeza, sempre ela…por deixar para trás o conforto do conhecido, dos velhos amigos, da rotina dos voos matinais.
Fiquei alguns instantes observando aquela ave imensa com uma silenciosa admiração, ele simplesmente deu um leve cumprimento com a cabeça, abriu as asas e foi ao encontro da imensidão azul.
Amigo, estarei aqui quando você voltar, pois apesar das minhas longas caminhadas, sempre retorno para o aconchego das terras conhecidas.
Boa sorte!!!
Tempo de descanso
Depois de tanto tempo nas minhas andanças, aprendi muita coisa, inclusive a ter paciência.
Paciência para analisar os próximos passos e saber quando devo parar e quando devo retornar às caminhadas.
Estou numa fase meio parada, de análises, de planejamento…por enquanto estou sentada calmamente embaixo da minha árvore favorita apenas observando e esperando os próximos acontecimentos, afinal também sinto no ar a onda de esperanças renovadas…
Estou com medo!!!
Mais uma vez sinto a tentação de baixar a guarda e viver intensamente o momento que surgiu inesperadamente, entrar de cabeça nesta nova caminhada, sem planejar muito, aprendendo com o que aparecer pela frente, mas…uma dúvida me aflige – E se no final for tudo exatamente igual, será que vale a pena arriscar?
Não quero pensar nisso agora ou me faltará força para continuar…dou o primeiro passo para iniciar essa nova aventura, o primeiro passo para a aventura que pode definir o resto da minha jornada.
Homenagem
Preciso prestar uma homenagem a um velho amigo, que não está mais aqui, mas não passo um dia sem pensar nele e na falta que ele faz.
Uma estranha amizade entre um lobo e um cão…um cão meio lobo e um lobo meio cão.
De uma beleza arrebatadora ele conquistou meu coração logo que se aproximou. Timidamente foi ganhando minha confiança, um dia de cada vez.
Ele tinha os olhos azuis mais brilhantes que eu já vi e transmitiam uma alegria imensa, essa convivência foi maravilhosa, pois ele por muitos anos foi meu “contra-ponto”, ele sempre vendo as coisas boas que a vida podia oferecer e eu…bem vcs sabem bem a visão que tenho da vida.
Em comum tinhamos o gosto pelas “escapadas”, passavamos dias correndo pelos campos sem destino, mas ele sempre tinha que retornar e eu aguardava pacientemente a próxima aventura.
Ficavamos horas observando a Lua, as estrelas. Ele gostava de uivar para a Lua, era uma espécie de canção de amor, uma declaração do prazer que ele tinha por poder apreciar tal beleza.
Prefiro não entrar em detalhes dos últimos dias que passamos juntos, mas somente dizer que ele foi o único e insubstituível amigo cão, fiel e companheiro.
Mais um dia
Às vezes me pergunto de onde vem tanta amargura e rapidamente me lembro de algumas etapas da vida que deixaram marcas profundas e acabaram moldando o que sou hoje.
Sei que a vida é feita de momentos, nada é eterno, mas os momentos difíceis ficaram enraizados dentro de mim e são transparentes em meus olhos frios, as coisas passaram a ter pouca importância e tratadas como tal.
Cada caminhada é um novo recomeço e a esperança de curar as feridas que me acompanham sempre existe, mas talvez eu não seja tão determinada e não tenha disposição para lutar e realmente recomeçar do zero, as lembranças ficam latentes em minha mente só esperando uma brecha para aflorar.
Disfarço a lágrima que começa a escorrer e mais uma vez a dor da angústia se apodera do meu corpo e o uivo preso ecoa por todos os lados, por alguns instantes fico ouvindo aquele uivo tão conhecido e tão carregado de sofrimento e gostaria de poder nunca mais sentir…
Por quê existem lembranças?
DIA DE FÚRIA
Em dias de fúria prefiro me manter afastada, mas tem aqueles que insistem em tentar uma aproximação, nessas horas isso não adianta, o melhor é me deixar quieta que isso passa, algumas vezes rapidamente outras vezes nem tanto…
Ainda anestesiada pelas palavras que me feriram tanto e que deixaram marcas profundas, começo a pensar no meu caminho e na necessidade de me adaptar a um novo destino.
O que há de errado com a vida pacata, aquela coisa sem surpresas, por que simplesmente não consigo me acostumar com isso sem maiores questionamentos?
A inquietação faz meu sangue pulsar em minhas veias e lentamente começo a movimentar minhas patas, estou novamente preparada para reiniciar a jornada, dessa vez mais atenta e muito mais desconfiada…quando será que esse ciclo terá um fim?
Dispensa qualquer comentário. hehehe
